Diário de um louco
Hoje saiu, radiante, o sol do quarto de sua amada
– a lua –
Que não saiu durante a noite...
I
Durante a noite caminhei livre pelas ruas bêbadas
E, encontrei pessoas tortas, curvas.
Encontrei mariposas prostitutas pelos escuros;
e, mulheres
voando à procura de luz.
Encontrei máquinas transitando sem emisão de
gases;
e, molambos humanos, verdadeiras chaminés.
Encontrei sacerdortes aliciando crianças;
e, drogados profetizando um mundo de paz,
falando de naves como arcas de Noé.
Não vi as pessoas que dormiam em seus lares.
Vi reflexos e espectros à espreita de incautos.
Este é o boletim de ocorrência da noite.
II
Agora, com o sol ascendente e a lua tímida, sem
ambiente,
Caminho preso a bolas de ferro, prisioneiro do
social.
Vejo máscaras:
Mães, donas de casa, no cuidado afetuoso de seus
filhos.
Máquinas estridentes e fumacentas;
sacerdotes catequizando, prometendo o paraíso,
drogados rotos perseguidos pelos seus demônios.
Caminho pelas ruas tortas, e encontro pessoas
sóbrias e retas.
Mas elas parecem não estar ali -
todos olham insistentemente o relógio,
contando as horas para a chegada da noite.
(Quando os atores depositam seus figurinos).
Também não vejo os que estão em seus lares.
Vejo reflexos e espectros que emanam de tudo.
Este é o enredo do teatro do dia.
Planaltina, 10/04/2012
José Marcos
Barreiros Alves
Quem tem todas as certezas, além do Criador de todas as verdades? Somos todos meio loucos em busca de respostas que, para algumas perguntas simplesmente não há!
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