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Epitáfio


Morrer! Se este é o fim de tudo, já é um mau começo: deitado, sem voz e ainda por cima com terra nos olhos...

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Diário de um louco

Hoje saiu, radiante, o sol do quarto de sua amada – a lua –
Que não saiu durante a noite...
I
Durante a noite caminhei livre pelas ruas bêbadas
E, encontrei pessoas tortas, curvas.
Encontrei mariposas prostitutas pelos escuros;
e, mulheres  voando à procura de luz.
Encontrei máquinas transitando sem emisão de gases;
e, molambos humanos, verdadeiras chaminés.
Encontrei sacerdortes aliciando crianças;
e, drogados profetizando um mundo de paz,
falando de naves como arcas de Noé.
Não vi as pessoas que dormiam em seus lares.
Vi reflexos e espectros à espreita de incautos.
Este é o boletim de ocorrência da noite.
II
Agora, com o sol ascendente e a lua tímida, sem ambiente,
Caminho preso a bolas de ferro, prisioneiro do social.
Vejo máscaras:
Mães, donas de casa, no cuidado afetuoso de seus filhos.
Máquinas estridentes e fumacentas;
sacerdotes catequizando, prometendo o paraíso,
drogados rotos perseguidos pelos seus demônios.
Caminho pelas ruas tortas, e encontro pessoas sóbrias e retas.
Mas elas parecem não estar ali -
todos olham insistentemente o relógio,
contando as horas para a chegada da noite.
(Quando os atores depositam seus figurinos).
Também não vejo os que estão em seus lares.
Vejo reflexos e espectros que emanam de tudo.
Este é o enredo do teatro do dia.
Planaltina, 10/04/2012
José Marcos Barreiros Alves

Um comentário:

  1. Quem tem todas as certezas, além do Criador de todas as verdades? Somos todos meio loucos em busca de respostas que, para algumas perguntas simplesmente não há!

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