Poeta (I)
J. Marcos Barreiros Alves
Poeta, eu?
Não. Não quero ser.
Ser poeta é ser esteta,
é ter mil faces,
ter mil modos de sentir a dor.
É dar mil voltas
e não sair do lugar.
ira
Poeta? Não!
Rabisco, não corro o risco
de ser o prato da crítica,
de ser o alvo da razão.
E, não quero ser a vítima
da seta fatídica
que fere o coração.
Poeta? Definitivamente não!
Não faço verso.
Já tenho meu universo.
O meu domínio
vai além do crepúsculo,
onde tudo é fascínio.
(Um dos sobreviventes dos meus escritos ridículos, de 1978, agora com cheiro de mofo - antes que alguém reivindique autoria.) Original de 1978, com adaptações.
2011, daqui a pouco, será página virada no marcador do tempo.
Da janela do meu quarto, ainda sem vidro, sinto a brisa anuciadora de novos dias.
Aprecio as centelhas dos fogos de artifício dos que festivamente comemoram a agonia do ano que se vai, renovando as esperanças para os 366 dias que estão vindo aí.
Mas o tempo é surreal; é areia que escorre entre os dedos e marca as as linhas na pele.
Esperança ainda é a chave que vai abrindo portas.
O primeiro dia é o da ressaca.
O segundo dia é o da perda de memória de todas as promessas feitas.
E assim caminhamos, sempre buscando alguém que compreenda e perdoe nossos defeitos.
Tomo a última taça de espumante, ainda ouvirei as incômodas explosões e vou dormir como faço desde que nasci.
Quando o Sol despontar vivenciarei a repetição de muitas coisas já vistas.
Então, é seguir caminho!
O verdadeiro poeta não é aquele que escancara aos sete ventos: "Sou um poeta!", mas aquele que em sua simplicidade consegue enxergar o universo além das perspectivas e levar sua sensibilidade àqueles inértes ao poder do olhar observador. Poeta não se faz, se nasce!
ResponderExcluirAgradeço a gentileza do comentário. Estas palavras servem como estímulo para que eu continue tentando expressar os sentimentos que às vezes calam no movimento do cotidiano.
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