Perspectiva deformada
Por
J. Marcos Barreiros Alves
É lamentável vivenciar um golpe
baixo do Sr. Governador do DF.
No final do ano passado a
categoria de magistério do DF poderia ter entrado em greve. Havia uma
negociação com o governo. A categoria achou por bem iniciar uma contagem
regressiva para não prejudicar o fechamento do ano letivo de 2011. Com a
contagem regressiva, evidencia-se uma negociação em aberto, aguardando um
posicionamento do GDF no início de 2012. A proposta anterior não foi aceita, e
não o será, pelo simples motivo de que o oferecido está bem distante das
promessas feitas em campanha.
No final de fevereiro de 2012,
uma semana antes da assembléia marcada desde o ano passado, o Excelentíssimo
baixa um decreto proibindo reajuste e outras coisas para não "comprometer
o orçamento do DF". Com isso descumpre o prometido, trai um compromisso,
desrespeita o magistério e esquece que trinta mil formadores de opinião podem
interferir nos resultados das urnas. Afinal, temos também familiares, amigos e
conhecidos. O DF vai ser sede de jogos da Copa do Mundo. A imagem do governador
vai ficar linda, com as manifestações que podem ocorrer em 2014, em tempo real,
para o mundo saber a que custo social Brasília se transforma em palco para um
espetáculo risível: esbanjar riqueza de primeiro mundo, escondendo a pobreza de
terceiro mundo que ainda vivemos aqui.
Do alto de seu poder declara que
a greve prejudica a população. Mas esqueceu de dizer que a greve é o último
recurso, é a única alternativa quando o diálogo se transforma em monólogo de
uma categoria sofrida.
Os alunos já desenvolvem um senso
de observação, uma visão crítica com a necessária profundidade apropriada à
idade, e compreendem, a seu modo, a extensão dos discursos e dos fatos. Estamos
na era da comunicação; as crianças e jovens são bombardeados por informações de
todos os tipos de mídia. Com certeza, já adquirem parâmetros para a vida
futura, para a defesa de seus interesses e dos seus direitos e, para lutar
contra as injustiças no campo social e profissional. Um número crescente de
alunos, que hoje estão próximos a conquistar direito ao voto, em seu processo
de formação para a cidadania, começam a testemunhar a manipulação que distorce
os fatos. Na sala de aula se discute o que se publica em jornais e revistas. Esta
é a lição que fica para todos nós, envolvidos que estamos nesse processo.
Então, é necessário o ato sublime
de ponderação. Para que ela surta efeito o diálogo precisa ser retomado. A verticalidade
descendente é uma característica negativa; é a própria imposição de quem ainda
pode dispor de recursos para comprar espaço no horário nobre da televisão para
convencer a comunidade que o professor é o algoz desse malfadado enredo. O
resultado é uma deformação da perspectiva que longe do concreto, se distancia
também do abstrato; e, se afina muito mais com o surreal, que a pretexto de
novidade valoriza a deformação da realidade.
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