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Epitáfio


Morrer! Se este é o fim de tudo, já é um mau começo: deitado, sem voz e ainda por cima com terra nos olhos...

sábado, 24 de março de 2012


Perspectiva deformada
                                                                                                            Por J. Marcos Barreiros Alves

É lamentável vivenciar um golpe baixo do Sr. Governador do DF.
No final do ano passado a categoria de magistério do DF poderia ter entrado em greve. Havia uma negociação com o governo. A categoria achou por bem iniciar uma contagem regressiva para não prejudicar o fechamento do ano letivo de 2011. Com a contagem regressiva, evidencia-se uma negociação em aberto, aguardando um posicionamento do GDF no início de 2012. A proposta anterior não foi aceita, e não o será, pelo simples motivo de que o oferecido está bem distante das promessas feitas em campanha.
No final de fevereiro de 2012, uma semana antes da assembléia marcada desde o ano passado, o Excelentíssimo baixa um decreto proibindo reajuste e outras coisas para não "comprometer o orçamento do DF". Com isso descumpre o prometido, trai um compromisso, desrespeita o magistério e esquece que trinta mil formadores de opinião podem interferir nos resultados das urnas. Afinal, temos também familiares, amigos e conhecidos. O DF vai ser sede de jogos da Copa do Mundo. A imagem do governador vai ficar linda, com as manifestações que podem ocorrer em 2014, em tempo real, para o mundo saber a que custo social Brasília se transforma em palco para um espetáculo risível: esbanjar riqueza de primeiro mundo, escondendo a pobreza de terceiro mundo que ainda vivemos aqui.
Do alto de seu poder declara que a greve prejudica a população. Mas esqueceu de dizer que a greve é o último recurso, é a única alternativa quando o diálogo se transforma em monólogo de uma categoria sofrida.
Os alunos já desenvolvem um senso de observação, uma visão crítica com a necessária profundidade apropriada à idade, e compreendem, a seu modo, a extensão dos discursos e dos fatos. Estamos na era da comunicação; as crianças e jovens são bombardeados por informações de todos os tipos de mídia. Com certeza, já adquirem parâmetros para a vida futura, para a defesa de seus interesses e dos seus direitos e, para lutar contra as injustiças no campo social e profissional. Um número crescente de alunos, que hoje estão próximos a conquistar direito ao voto, em seu processo de formação para a cidadania, começam a testemunhar a manipulação que distorce os fatos. Na sala de aula se discute o que se publica em jornais e revistas. Esta é a lição que fica para todos nós, envolvidos que estamos nesse processo.
Então, é necessário o ato sublime de ponderação. Para que ela surta efeito o diálogo precisa ser retomado. A verticalidade descendente é uma característica negativa; é a própria imposição de quem ainda pode dispor de recursos para comprar espaço no horário nobre da televisão para convencer a comunidade que o professor é o algoz desse malfadado enredo. O resultado é uma deformação da perspectiva que longe do concreto, se distancia também do abstrato; e, se afina muito mais com o surreal, que a pretexto de novidade valoriza a deformação da realidade. 

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