Farpas trocadas... estão baixando o nível!
(ou fezes no ventilador, para não dizer outras coisas)
J. Marcos Barreiros Alves
Recebi, em e-mail, mensagem que faz referência a uma outra que, no entender do signatário, alimenta a intenção de enfraquecer o movimento de greve aprovado em assembleia geral de professores de Escolas públicas do Distrito Federal, no dia 08/03/2012. A mensagem parece corroborar o teor da outra, que seria o objeto de sua crítica.
Que ela traz em seu bojo, a intenção de quebrar a força do movimento isso é perceptível. Transparece, também, que no topo da pirâmide hierárquica, há guerrilha tão peculiar ao jogo de poder. E, se no ápice da pirâmide, as trincas estão se alargando, e estrutura já começou a ruir. Não haverá cimo se não houver a base.
Ora, desde a antiguidade, e em todas as civilizações, em todas as instituições pagãs ou religiosas, a manipulação de informações pretendeu atingir pontos fracos do que se quer como massa de manobra, digo correligionários. E, não seria diferente em uma instituição pública de uma república tropical, nos tempos atuais.
É típico do ser humano, a vaidade. A exacerbação da vaidade é que transforma o ser humano em demônio, que me desculpem os demônios pela ofensa.
Há professores, sim, que preferiram aderir em full time ao movimento grevista. Há outros que aderiram parcialmente, como estratégia para prestar sua colaboração para o movimento e, ao mesmo tempo, não arrastarem a família para uma crise financeira que comprometa a questão da alimentação e os compromissos assumidos em decorrência de pagamento de estudo de filhos e empréstimos a serem liquidados. Me provem estar errado.
A todos os que estão alimentando agora sua vaidade em guerrinhas de nível superior, fazendo valer o dito popular de que "na briga entre o mar e o rochedo, quem se lasca é o marisco" , o desafio é: senhores professores detentores de cargos comissionados em gestão escolar, entreguem coletivamente seus cargos ao governo, provem que as finanças, problemas e interesses pessoais não pesam nem um pouco nas suas decisões.
Provem que, antes de gestores, as senhoras e os senhores, são professores. PROVEM, AGORA QUE NÃO SÃO "FRACOS", como nós, "colegas". Mostrem o exemplo - partam para a luta do movimento em defesa também dos direitos da categoria, que são também os seus direitos. Provem, sim, que os interesses coletivos estão acima dos interesses pessoais e da vaidade; e que não há peleguismo um degrau acima. Provem que a intenção mencionada no início do texto não tem fundamento. Ou, provem o contrário. Quando assim o fizerem, demonstrando que a unidade da categoria pode ser conseguida, então, voltaremos a articulação.
É muito fácil chamar um não grevista de fraco e de pelego, quando se está garantido pela remuneração do cargo e ainda com o salário incólume. Afinal, se está trabalhando, mesmo que a escola não tenha alunos, não é mesmo?!
Neste momento, estou na escola, não para cumprir o horário dormindo. Estou para trabalhar na atividade para o qual sou concursado, dar aulas. Nada além disso. Não é obrigação minha colocar alunos dentro de sala de aula.
E se, nem o governo, nem a gestão local consegue convencer a comunidade de que é seguro para o aluno estar na escola, a culpa não é minha e, não sou eu que estou mentindo.Vamos deixar o circo para os profissionais que conseguem fazer cumprir os propósitos do teatro de lona, a coisa aqui é mais dramática. Coloquem o aluno em sala de aula e tratem da segurança para que as aulas aconteçam.
Todos os senhores diretores, vice-diretores e os outros professores ocupando um cargo comissionado nas escolas e nas Coordenações Regionais de Ensino deixem os discursos vazios de lado e "devolvam a César o que é de César". Desçam a escada e venham consolidar uma base forte. Se não for assim, estará provado que todo o discurso é falácia.
De um lado, ou de outro, serei acusado de ser massa de manobra: ou pelo governo; ou, pela liderança do movimento; ou, agora também pelos diretores de escolas que alimentam sua artilharia para provocarem-se mutuamente.
Estar em cima do muro é pior porque, nesta posição, serve-se aos interesses dos dois lados. Não quero ser tratado como saco de pancadas ou "sparring", de quem quer seja. Não tenho vocação também para ser o marisco desse enredo. Minhas contas não serão pagas, com blá, blá, blá. Não pretendo assumir mais dívidas que as que me pesam na minha planilha. Não pretendo vender minha alma para quitá-las. Também, não pretendo o suicídio para fugir dos compromissos. Nem me transformar em traficante para fazer caixa.
Minha opinião é que divergências entre colegas, de mesmo nível de posto, deveriam ser tratadas em mesa redonda, como um problema interno do superior grau hierárquico e, não envolvendo círculos externos. A mim, não interessa a postura pessoal de um ou outro diretor de unidade de ensino, de seus vínculos políticos, ou de suas opções de quaisquer natureza.
Nota: Em resposta, a um texto recebido em correio eletrônico. Texto que, no meu entender deveria ficar restrito ao grupo que pretende ficar trocando figurinhas ou torpedos. Trocar figurinhas é um ato até saudável. Mas, criar constrangimentos com textos que publicam juízos de valor, e não apenas opiniões, extrapola todas as fronteiras da civilidade e é isto que eu não posso aceitar.
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