SEXTING
(Caiu na net, tá dominado!)
José Marcos Barreiros Alves
Estamos na era da comunicação. Disto ninguém duvida. Ninguém duvida, também, de que a comunicação se dá a uma velocidade extraordinariamente maior do que acontecia a pouco tempo.
Mas, também oferece seus riscos. Sempre ofereceu. Uma palavra dita em momento errado, uma palavra mal interpretada, e por aí vai. Antes, era mais fácil filtrar uma informação, ponderar para não dizer a palavra incoveniente, avaliar e reavaliar a mensagem recebida.
Agora, onde 100% de tudo é informação, que chega instantaneamente a um maior número de indivíduos, sem que se precise ir atrás dela. Basta ligar o computador, o celular, e as informações jorram. A segurança e a privacidade se reduzem a praticamente zero. Fazemos parte de um sistema de comunicação que nos expõe, uma situação similar à casa de vidro, aliás este também é o conceito do "big brother" - a exposição total.
Com a velocidade de informação as modas se universalizam em tempo recorde. Uma delas, que se torna viral, e que tem inundado a rede internet, é o sexting.
Sexting é palavra formada pela contração de outras duas - sex (sexo) e texting (envio de mensagem). se traduz como a "prática por meio da qual meninos, e principalmente meninas, produzem e distribuem, através de telefones celulares e da internet, fotos de seus próprios corpos nus, ou seminus, em poses provocantes e sensuais". (alexcamillo.com.br)
E trocam closes de suas intimidades porque, aparentemente, tudo não passa de uma brincadeira entre eles. Semelhante àquelas fotografias que, no século passado, eram trocadas romanticamente via correio, como forma de eternizar suas lembranças.
Acontece que, um comportamento que muitas vezes, no máximo, chegaria a um flerte, acaba se transformando em um inferno na vida pessoal do adolescente e estende a crise para o ambiente familiar.
As imagens íntimas gravadas em qualquer tipo de aparato eletrônico oferecem condições imediatas de divulgação nas denominadas redes sociais, o tão conhecido "caiu na net".Em menos de uma hora o estrago está feito. A imagem ganha o infinito território virtual e o acesso em todo o planeta onde haja um computador ou um celular com acesso à rede. Com a exposição virtual, as sequelas na vida real se multiplicam em forma de bullying, assédios moral e sexual, pornografia infantil e pedofilia.
Tenho conversado com alguns jovens, sobre essa tendência de exposição erotizada da imagem. Em princípio, alguns negam timidamente; depois vão se soltando e revelam que o hábito é muito comum, mas ninguém se preocupa, "porque não dá em nada". As fotos podem ser produzidas em qualquer local privado ou mesmo público.
Na fase de "tribalização", é comum o jovem participar dos ritos de iniciação, um ou outro trote, fato compreensível. Afinal, faz parte do processo de identidade e afirmação do indivíduo no grupo ao qual pretende o acesso. Mas, há que ter a justa medida dos atos para não pagar pesado preço pelo excesso de exposição, principalmente, quando carregada de forte dose de sexualidade que coloca em risco a própria integridade física ou a própria vida. Todo cuidado é pouco!
Evite a prática do "sexting"!
(Net é um ambiente aberto, praticamente de domínio público. É um "céu" em segundos e o "inferno" a perder de vista!).