QUER LER? NA INTERNET TEM LITERATURA FINA!
A internet tem sido um terreno minado de baboseiras – um espaço, que a pretexto de viabilizar
convivências sociais, reforça o individualismo e a solidão. “Compartilhar” é a
palavra da moda nas relações virtuais.
Realmente
compartilhamos? “Control C”, “Control
V”, “Control P”... assim é a metodologia do compartilhamento nas reces sociais. Compartilhar é, segundo Cegalla (2008)[1],
“1 dividir; repartir:
compartilhar esperanças. 2 partilhar; dividir. 3 tomar parte...”
Subentende-se, no compartilhamento, uma certa cumplicidade
na comunicação. Em alguns espaços das redes sociais o que se vê é babel. Traduzindo, todos falam ao mesmo
tempo, saturam o interlocutor com avalanches de publicações, muitas vezes sem
nexo. Mais parece um torneio, uma competição visando quantidade, de forma análoga ao monopólio em uma conversa
real (dominar o espaço e o outro). Resultado: uma coleção de monólogos
inarticulados, exposição de dramas pessoais, e comunicação monossilábica,
iconografia redutiva e onomatopéias de entrerisos, risos e gargalhadas
sonoramente visuais.
Além de tudo, uma perigosa exposição pessoal, perigosa a meu
ver. Exposição pessoal, exposição do círculo familiar, exposição de pontos
fracos. Comparo o participante de redes sociais a um indivíduo nu,
absolutamente nu, e expondo suas marcas pessoais. Assim me senti.
Mea culpa! Confesso que, em algum momento, senti a tentação
de participar de uma rede social; experimentei, como quem experimenta um doce,
uma roupa ou uma droga. Cheguei a publicar imagens e textos de autoria própria.
Cheguei a “compartilhar”, dividindo o que não era meu; senti o remorso que deveria
ser a constante do ladrão: roubei e compartilhei o que, em alguns casos,
ninguém viu, ninguém leu. Uma repetição de repetição criando ecos
intermináveis.
Mas...
A internet, ainda
permite encontrar pérolas, jóias preciosas. Nesse garimpo, que exige paciência,
encontram-se sitios, com qualidade e prazer de quem produz conscientemente. Um
desses espaços é um “blog” criado recentemente e com o objetivo precípuo da
produção literária, sem dispensar as imagens ilustrativas dos textos.
Com prosas, crônicas, cartas, poemas para atender o gosto de
um leitor exigente, a autora vai contruindo sua linha do tempo, revelando os
meandros da construção de sua identidade pessoal e da personalidade como
escritora.
Usa as metáforas de forma suave. O jogo de palavras acontece
naturalmente estimulando o leitor a construir também a sua rota no mapa que se
desenha a cada produção. A leitura é gostosa, tem início, meio e fim – e
entrelinhas.
São textos, que encantam porque promovem uma sensibilização
de sentimentos. Com certeza o leitor vai se perceber, em um momento, com um
sorriso de satisfação; em outro instante,
o pulsar acelerado do coração, como se estivesse vendo ali um pouco de
si. Vai sim, e disfarçadamente, erguer a mão e encurtar o caminho de uma
lágrima que vai insistir em revelar-se.
As palavras terão, assim, cumprido a missão para qual foram articuladas: comunicar, mesmo que o interlocutor não precise dizer nada. A
mensagem, terá chegado ao seu destino. A prova disso será o sorriso, o pulsar,
a lágrima.
E, é compartilhando, na acepção mais pura da palavra, que
Roselene Oliveira (Rose Sol e Lua), publica seus escritos no blog “escrevomeufuturo.blogspot.com”.
Recomendado para todas as idades sem contraindicações. Sem efeitos colaterais e
com a vantagem de ser gratuito. É boa
literatura, para solitários, enturmados, família. Duvido que você não
goste.
Confira! escrevomeufuturo.blogspot.com
[1]
CEGALLA, Domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa. – 2.ed. – São
Paulo : Companhia Editora Nacional, 2008.
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